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Novo ciclo energético e o diesel HVO

Recentemente foi publicado em diversos veículos de comunicação, principalmente nos especializados em transporte, notícias sobre a joint venture entre a Daimler Truck e o Grupo Volvo para acelerar o desenvolvimento da célula de combustível. Assim, achamos o momento oportuno explicarmos o que isso tem a ver com ônibus no desenvolvimento de diversas tecnologias para uso de fontes renováveis de combustíveis.

A mudança de combustíveis de fontes fósseis para renováveis começou já faz alguns anos. Para se ter uma ideia, o trólebus de São Paulo foi inaugurado em 1947, e na época preocupação era maior com uma possível escassez de petróleo. Atualmente, a prioridade passou a ser ambiental. No caso dos trólebus, a Mercedes-Benz tem parceria com a Eletra e cerca de 70 unidades rodando no sistema paulistano.

Estamos vivendo em período de transformação chamado por especialistas de “novo ciclo energético” com previsão ser realidade para o uso em massa em quase todo o mundo até a década 2040. Até lá, algumas tecnologias, como o uso de hidrogênio, biodiesel HVO, entre outras, estão desenvolvimento.

A aplicação comercial de cada tipo de tecnologia depende de fatores relacionados a condição econômica e dos recursos naturais disponíveis em cada país. Vamos os aspectos para três fontes de energia!

Célula de combustível

A célula eletroquímica transforma energia química em energia elétrica sem as perdas, emissões de poluentes e ruídos dos combustíveis fósseis. Muitos especialistas apostam nela como a melhor solução de energia limpa, porém, viável somente no longo prazo. Isso porque ainda temos desafios a serem vencidos, principalmente, os relativos aos custos de desenvolvimento e produção do equipamento, além da produção e da infraestrutura das fontes de energia, como o gás de hidrogênio, entre outras.

Por este motivo que a Daimler Truck e o Grupo Volvo se juntaram para acelerar o desenvolvimento desta tecnologia. A joint venture será somente para a produção do sistema de célula de combustível. Depois, cada a marca utilizará seus próprios caminhões e ônibus.

Elétrico a bateria

Com modelos já rodando em alguns países, o ônibus elétrico é visto por muitos exclusivamente para uso urbano e com quilometragem diária em torno de 200 km. Ele é viável em cidades com boa situação financeira, pois as baterias e a infraestrutura de carregamento delas são muito caras.

Vale lembrar que um ônibus, pelo peso e a quantidade de equipamentos como ar-condicionado, lâmpadas e o anda e pare, demanda muita energia e, consequentemente, precisa de muitas baterias, diferentemente de um automóvel leve. Além disso, é necessário um pesado investimento em infraestrutura e sistemas de abastecimento, considerando que a maior parte das frotas de ônibus rodam horas seguidas, ficando pouco tempo parada na garagem para recarregamento das baterias.

Projeções apontam que, com o tempo, o preço das baterias devem cair, mas, só para se ter uma ideia, atualmente um ônibus elétrico pode chegar a custar até três vezes mais do que o convencional com motor a diesel. Cidades financeiramente seguras, como Londres, têm subsidiado a diferença de preço entre o modelo diesel e o elétrico, além de oferecer infraestrutura adequada.

Para exemplificar a complexidade do ônibus elétrico a bateria, a Daimler Buses, na Europa, criou a “e-Mobility-Consulting” para ajudar os gestores de frotas, e os profissionais levam em consideração a extensão da linha, o volume de passageiros, as necessidades quanto à energia, os cálculos de autonomia, os cursos de treinamento de motoristas e os profissionais que vão trabalhar com sistemas de voltagens e suas redes de transmissão.

Diesel HVO

Para a realidade econômica e de recursos naturais do Brasil, a grande aposta está sendo no desenvolvimento do biocombustível de segunda geração, o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil ou Óleo Vegetal Hidrotratado).

O Brasil é rico na oferta de produtos de origem vegetal e gordura animal, criando possibilidades para a produção de biocombustíveis em grande escala, com a vantagem do país já contar com uma ampla infraestrutura de distribuição e postos de abastecimento.

“Sabemos que o diesel, por sua tradição histórica e as grandes reservas existentes, é o combustível mais usado no Brasil e no mundo. Mas temos que investir em alternativas, e o biocombustível de 2ª geração, como o HVO, é um caminho a ser percorrido e bastante interessante”, ressalta Walter Barbosa, diretor de Vendas e Marketing Ônibus da       Mercedes-Benz do Brasil.

Segundo o executivo, além da redução de emissões, o uso do HVO não exige nenhuma alteração na infraestrutura de abastecimento na garagem nem na logística de distribuição do combustível. “Além disso, ele pode ser utilizado em qualquer veículo a diesel de qualquer norma de emissões. E considerando a legislação da cidade de São Paulo, há uma redução das emissões de CO2 (Dióxido de Carbono) proporcional à porcentagem de HVO, pelo fato de ser um combustível não fóssil”, diz Walter Barbosa. “Vejo o uso do HVO como uma ponte até os ônibus elétricos nos grandes centros. E mais: esse biocombustível poderá ser uma solução também para ônibus de grandes distâncias rodoviárias”, conclui.

Comentários

Jose Acelino 08/05/2020 16:31

É importantíssima, essa idéia de combustíveis, renováveis, não tenham dúvidas, mas acredito, que se realmente quisermos um mundo mais sustentável, além desse projeto, de combustíveis renováveis, o transporte ferroviário, me parece ser ainda ser o mais viável, tendo em vista que, por cada km, se carrega mais produtos por um preço menor, é com muito menos menos impacto ambiental, lembrando ainda de que é possível em muitos trechos das malhas ferroviárias do Brasil, e porque não do mundo, colocar as locomotivas para terem um sistema de tração elétrica em conjunto com os atuais sistemas de motores a combustão, outra idéia seria adaptar nas rodovias o sistema troleibus, para rodovias, isso sim seria o ideal, pois evitaria os autos custos das baterias e a poluição causada pelo descarte dessas baterias, essa é uma tecnologia que a Alemanha já utiliza em algumas rodovias. Penso ainda que essas grandes empresas, deveriam abrir espaço de comunicação direta com o público amante de novas tecnologias, pois desse público anônimo, podem sair muitas ideias novas, para solucionar velhos problemas.

Volney Cabral 08/05/2020 18:19

As locomotivas já tem motores elétricos. O motor Diesel alimenta um gerador que toca os motores elétricos.

Mercedes-Benz 08/05/2020 19:09

Olá, Volney. Esses são os motores híbridos, movidos a Diesel e eletricidade. Porém ainda podemos procurar soluções para utilizar combustíveis que agridam menos o meio-ambiente, como é o caso do Diesel HVO. Abraços!

Joaquim Campos Neto 10/05/2020 09:19

Concordo plenamente!

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